setembro 09, 2002

Conta-se que certa vez, no sul da China, um nativo foi convidado para assistir a uma série de conferências religiosas. Era um homem simples,
naturalmente, mas curioso e observador. Compareceu logo na primeira noite e gostou.
Os pensamentos do orador, embora estranhos para ele, não deixavam de ser interessantes. Voltou na noite seguinte e, ao término dessa segunda
conferência, ele arrazoou consigo mesmo:
- "Ora, esse orador falou hoje quase que a mesma coisa que disse ontem.."
Contudo, nem por isso deixou de voltar nas outras três noites restantes.
Na última noite, continuou no recinto, ate que as pessoas se afastassem totalmente.
Assim, a sós com o pregador, ele arriscou a seguinte observação:
- Afinal, pregador, por que motivo o senhor não fala de outras coisas igualmente interessantes e até mais abrangentes? Assisti a todas as suas conferências e o assunto foi sempre o mesmo: Deus. Não tem nenhum outro nome que possa ser mencionado?
O orador, maduro e muito experiente, sobretudo muitíssimo hábil, encontrou de imediato uma extraordinária saída .Perguntou-lhe:
- Desculpe a minha curiosidade, mas o que o amigo come no seu almoço?
- Como arroz, principalmente - respondeu o nativo com prontidão.
- E no jantar, qual e o seu prato predileto? -continuou o pregador.
- Ainda o arroz -respondeu o chinês.
- O senhor costuma cear a noite antes de dormir? -insistiu ainda.
- Sim, fazemos isto todas as noites em nossa casa -falou o nativo.
- E na ceia, o que a família costuma comer?
- Também arroz. Uma refeição só será completa para mim se houver arroz.
- E ontem o senhor comeu arroz nas três refeições que participou?
- Sim, eu particularmente só como arroz: entendo que esse cereal me dá vida, força e saúde.
Depois desse diálogo, aparentemente tão sem importância, o pregador, em poucas palavras, prestou o mais profundo esclarecimento que aquele nativo carecia ouvir para entender que o nome de Deus é o mais abrangente:
- Pois essa é justamente a razão de eu só falar em Deus. Ele é o meu amigo. Ele me enche a vida e a alma. Ele é capaz de preencher qualquer necessidade que eventualmente eu possa ter. Por causa desse tão maravilhoso relacionamento entre mim e Deus e em virtude das muitas bênçãos que d'Ele receba, é que a minha boca não sabe falar de outra coisa. O meu coração está totalmente tomado por estas experiências. Não acha agora razoável a minha insistência em repetir, dia após dia, esse nome?

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